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Saiba o que é malha aérea e como funciona

A Anac anunciou a inclusão de 2.000 voos na malha aérea brasileira e autorizou mais de 78.000 alterações de rota e horários em trechos já existentes para atender a demanda prevista para a Copa. O termo malha aérea foi repetido exaustivamente. Mas, o que ele realmente significa? Maurício Emboaba e Paulo Roberto Alonso, consultores técnicos da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), explicam a questão.

AGÊNCIA DE NOTÍCIAS ABEAR: O que é malha aérea?

Paulo Alonso: Malha aérea é o conjunto de itinerários que são cumpridos pelas companhias aéreas em períodos regulares. No Brasil, ela nasceu e foi crescendo conforme a demanda por ligação de regiões mais distantes, o que resultou nos primeiros voos regulares.

AGÊNCIA: Que fatores influenciam a composição da malha aérea?

Maurício Emboaba: O principal ponto a ser considerado é a demanda por voos regulares. A frequência de voos e o potencial de passageiros é que definem a operação. Isso parte de um estudo de mercado, que pode ser elaborado pelas próprias companhias, ou parte da iniciativa das prefeituras, a partir de uma demanda local.

AGÊNCIA – Quais aeroportos do país têm hoje maior dificuldade de criação de novos voos?

Mauricio Emboaba – O Santos Dumont, no Rio, e Congonhas, em São Paulo, são exemplos de aeroportos saturados, cuja capacidade de geração de slots está relacionada diretamente ao cancelamento de voos regulares. A distribuição de slots é feita pela Anac com base na janela deixada por voos que tiveram suas operações canceladas.

AGÊNCIA – Há diferença em relação ao sistema de distribuição em outros países?

Mauricio Emboaba – Sim. Nos Estados Unidos, por exemplo, o slot é um ativo da companhia aérea, apontado inclusive em seus demonstrativos financeiros. No Brasil, trata-se de uma concessão pública renovável. Para se capitalizar, uma companhia aérea norte-americana, antes de solicitar financiamentos, pode colocar à venda esses slots. Aqui, caso a companhia fique impossibilitada de operar ela tem que devolver os slots.

AGÊNCIA – Quais os desafios para os próximos anos?

Paulo Alonso – Os principais gargalos para o setor aéreo brasileiro estão na infraestrutura aeroportuária. Além de novos aeroportos, a eficiência da operação necessita de espaço em solo. Mesmo com obras de ampliação, muitos terminais ainda permanecerão deficitários de pátios. Isso implica em maior custo operacional, porque, sem ter onde estacionar, as aeronaves devem permanecer mais tempo em voo, isso consume de combustível e gera horas excedidas da tripulação, o que pode acarretar em problemas com sindicatos. Nos últimos 12 anos, o Brasil triplicou o volume de passageiros transportados utilizando praticamente a mesma infraestrutura aeroportuária existente naquela época.

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