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Colisão entre pássaro e aeronave em Recife mostra a importância do trabalho de prevenção

Segundo especialista da ABEAR, lixões irregulares são os principais motivos de atração de aves no Brasil

 

O choque de uma ave contra uma aeronave da LATAM após a decolagem, na última terça-feira, 24, em Recife, obrigou o piloto a voltar ao aeroporto de origem. Esse episódio, de acordo com especialistas da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), mostra a importância de um trabalho de prevenção para minimizar esse tipo de ocorrência, que traz transtornos não apenas para as companhias aéreas, mas para passageiros e para a infraestrutura aeroportuária.

De acordo com Raul Souza, consultor técnico da ABEAR, situações assim acontecem diariamente, no mundo todo. “Esse tipo de incidente não é exclusivo do Brasil, mas o foco de atração desses pássaros têm características diferentes de acordo com o local. Aqui, por exemplo, nosso maior problema são os lixões irregulares nos entornos dos aeroportos. O destino inadequado nos dejetos faz com que as aves, como os urubus, povoem esses locais e tragam risco aos voos”, diz Souza.

As colisões entre aves e aeronaves, o chamado “bird strike”, já somam 501 ocorrências desde o início do ano. Os dados são disponibilizados pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), que compila os registros de todas as colisões no Brasil.

Os impactos gerados pelas colisões afetam diretamente o passageiro. No caso de Recife, por exemplo, a aeronave precisou retornar para o aeroporto e os passageiros tiveram que aguardar outro voo. “Esse é um procedimento padrão, quando o piloto percebe algum tipo de dano decorrente do choque, muitas vezes, há a necessidade pousar no aeroporto mais próximo para verificar as condições da aeronave”, comentou o especialista da ABEAR.

A consequência do bird strike para as companhias aéreas também é grande. Além de gerar eventuais atrasos e cancelamentos na malha aérea, a aeronave precisa passar por uma manutenção não programa para o reparo dos danos. “As partes mais atingidas são os motores, a parte frontal das asas, o para-brisa e radome (nariz da aeronave)”.

Souza ressalta que a segurança é o principal pilar da aviação e que essas ocorrências não trazem risco à segurança dos voos. Segundo ele, os pilotos passam por treinamentos rigorosos e os procedimentos para proceder às colisões já estão previstos.

Ações de mitigação

De acordo com o consultor da associação, os principais aeroportos do Brasil já possuem programas de manejo de fauna. Parte desse programa consiste na análise do tipo de pássaro que sobrevoa a região, se existem predadores naturais e quais as possibilidades para mitigar o aparecimento das aves.

“O mais importante é a conscientização de toda a sociedade. Além dos lixões, o acúmulo de lixos nas ruas e o despejo de esgoto em locais irregulares também podem potencializar o problema. Além das ações dos aeroportos, é fundamental o apoio da população”, afirmou Souza.

 

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